Amigos da AME-RIO e Internautas,
Por notícias apresentadas ontem, 29/03/2011, foi lançado em Brasília, o último livro de Paulo Nogueira-Neto, mestre maior da meliponicultura brasileira: A trajetória de um ambientalista.
Transcrevo abaixo, na íntegra, duas notícias sobre esse livro e muita informação sobre o Mestre PNN. Clique nas manchetes, para ver as notícias nos sites originais.
Uga,
José Halley Winckler
A trajetória de um ambientalista
A luta em defesa da biodiversidade, no Brasil, tem nome e sobrenome: Paulo Nogueira-Neto.
29/03/2011 - 11:39


Nas quase 15 mil páginas dos diários escritos desde janeiro de 1974 – convertidas nas 880 páginas do livro –, personagens da história do Brasil desfilam de maneira reveladora. E também curiosa. Confirmado a permanecer à frente da Secretaria do Meio Ambiente, durante a posse do general João Baptista Figueiredo ouviu do novo presidente: “Esse eu já conheço”. Um pouco antes, na transmissão do cargo a Mario Andreazza no Ministério do Interior, Maurício Rangel Reis referiu-se a Nogueira- Neto como “o apóstolo do Meio Ambiente”.



O Brasil em que Nogueira-Neto viveu pouco antes de assumir a Secretaria do Meio Ambiente empenhava-se na expansão das fronteiras agrícolas. No final da década de 60, entre o Pará e o Amapá, o Projeto Jari provocava a derrubada de árvores em larga escala para produção de celulose. De Cabedelo, na Paraíba, até Lábrea, no Amazonas, a rodovia Transamazônica abria enormes clareiras na floresta. Nessa época, no entanto, o País se fazia representar na Conferência de Estocolmo. Realizado em 1972, o encontro contava com apenas 16 países que possuíam uma entidade governamental central de Meio Ambiente. “Toda a organização da rede de ação ambiental existente na Federação Brasileira começou como resultado da conferência”, afirma.


“O diálogo entre as organizações e o governo é absolutamente básico e essencial. Nós temos que procurar colaborar com os governos mesmo discordando deles”, enfatiza. O ambientalista observa ainda o resultado da última eleição para afirmar que surge no Brasil uma nova ideologia política. “É a ideologia do meio ambiente e das questões que a ele se relacionam”, observa. “Meio ambiente, educação e saúde estão se tornando politicamente tão importantes como antes foram a defesa de classes e a defesa de ações econômicas, como o capitalismo”.
Saiba mais:
Uma Trajetória Ambientalista: Diário de Paulo Nogueira-Neto, editado pela Empresa das Artes, tem 880 páginas e custa R$ 100,00. Informações pelo tel. (11) 3797-2200
Tiro no Pé
Tiro no Pé
Nas relações entre agricultura, biodiversidade e conservação da natureza, a expressão “tiro no pé” pode, segundo Paulo Nogueira-Neto, resumir atitudes que podem resultar em um futuro de enormes prejuízos agrícolas se ações para a preservação do meio ambiente não forem colocadas em prática agora. De acordo com o ambientalista, o desaparecimento de 20% de área de floresta amazônica é suficiente para que as regiões de cultivo no Centro-Sul do Brasil sejam penalizadas pela diminuição considerável de chuvas.
Num país de proporções continentais, as peculiaridades de cada região são evidentes. Em viagens regulares pelo Interior de São Paulo, Nogueira-Neto tem observado que o desmatamento vem diminuindo. “Há dois anos não vejo uma grande derrubada”, afirma. A floresta que volta em pequenas áreas é formada, no entanto, por árvores homogêneas. De acordo com o ambientalista, haverá a exigência, no futuro próximo, do plantio de espécies diferentes para recompor a biodiversidade que antes existia.
Na gravidade do desmatamento na Amazônia – “trata-se de salvar enormes extensões de terra” –, os danos causados à agricultura pela diminuição das chuvas no Centro-Sul, segundo o ambientalista, afetam não apenas uma parte do Brasil, mas compromete o progresso do País. “Os prejuízos serão enormes”, enfatiza.
Um fato que preocupa o ambientalista envolve os seringueiros. Defensores históricos da floresta contra o avanço da pecuária, agora, pela necessidade de sobrevivência, eles vêm se tornando criadores de gado. Para Nogueira-Neto, é necessário, com certa rapidez, mostrar que se ganha mais com preservação. “O estado do Amazonas já começou a fazer estudos no sentido de salvar a floresta subvencionando. Mas a palavra subvencionar no Brasil soa mal.” E continua: “A meu ver, é necessário subsidiar, subsidiar mesmo a guarda das florestas e o bom uso dos recursos florestais.”

Na gravidade do desmatamento na Amazônia – “trata-se de salvar enormes extensões de terra” –, os danos causados à agricultura pela diminuição das chuvas no Centro-Sul, segundo o ambientalista, afetam não apenas uma parte do Brasil, mas compromete o progresso do País. “Os prejuízos serão enormes”, enfatiza.
Um fato que preocupa o ambientalista envolve os seringueiros. Defensores históricos da floresta contra o avanço da pecuária, agora, pela necessidade de sobrevivência, eles vêm se tornando criadores de gado. Para Nogueira-Neto, é necessário, com certa rapidez, mostrar que se ganha mais com preservação. “O estado do Amazonas já começou a fazer estudos no sentido de salvar a floresta subvencionando. Mas a palavra subvencionar no Brasil soa mal.” E continua: “A meu ver, é necessário subsidiar, subsidiar mesmo a guarda das florestas e o bom uso dos recursos florestais.”
Não mais que uma kombi A partir da década de 50, surgiram no Brasil alguns pequenos grupos de ambientalistas. Paulo Nogueira-Neto costuma dizer que cada um deles caberia dentro de uma Kombi. Quando muito em um micro-ônibus. No livro, há trabalhos que o autor considera notáveis, como o realizado por Chico Mendes e Marina Silva, no Acre; por José Lutzemberg, no Rio Grande do Sul; pelo Museu Paraense Emílio Goeldi, entre outros. Há também vitórias –embora parciais – de brasileiros de algumas décadas atrás que se importaram em defender a preservação do meio ambiente.
Entre 1955 e 1956, o governador Jânio Quadros tinha a proposta de tornar as terras devolutas do Pontal do Paranapanema, em São Paulo, “reserva florestal”. Na época, Nogueira-Neto sobrevoou várias vezes a região e constatou que a floresta primitiva estava intacta. Apesar das ações da Associação de Defesa da Fauna e da Flora, que depois se constituiu na Adema SP, a Assembleia Legislativa não aprovou a criação da reserva.
Mais tarde, o então secretário da Agricultura Renato Costa Lima conseguiu salvar da destruição uma grande floresta vizinha ao Pontal, o Morro do Diabo. Segundo Nogueira-Neto, salvação “no grito” contra grileiros e certidões de posse falsas.
Entre 1955 e 1956, o governador Jânio Quadros tinha a proposta de tornar as terras devolutas do Pontal do Paranapanema, em São Paulo, “reserva florestal”. Na época, Nogueira-Neto sobrevoou várias vezes a região e constatou que a floresta primitiva estava intacta. Apesar das ações da Associação de Defesa da Fauna e da Flora, que depois se constituiu na Adema SP, a Assembleia Legislativa não aprovou a criação da reserva.
Mais tarde, o então secretário da Agricultura Renato Costa Lima conseguiu salvar da destruição uma grande floresta vizinha ao Pontal, o Morro do Diabo. Segundo Nogueira-Neto, salvação “no grito” contra grileiros e certidões de posse falsas.
O homem de ciências
Em 1944, ainda na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, Paulo Nogueira-Neto começou a estudar as abelhas indígenas nativas sem ferrão ao receber do sogro, Manoel Joaquim Ribeiro do Valle, uma colônia de jataís (Tetragonisca angustula). Ainda hoje, ele mantém estações experimentais de meliponíneos em São Simão, Cosmópolis, Campinas, São Paulo, além de Luziânia, em Goiás. Mais tarde, em 1955, quando ingressou na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, fez das abelhas indígenas instrumentos no estudo da ecologia.
Professor emérito da USP, Nogueira-Neto fundou o Laboratório das Abelhas na universidade. Mais tarde, ajudou a estruturar o Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências. Para “descansar”, depois do longo dia de trabalho na Secretaria do Meio Ambiente, o ambientalista debruçavase sobre a pesquisa que resultou no livro Comportamento Animal e as Raízes do Comportamento Humano. Sobre as abelhas indígenas prepara o quarto livro, Dicionário das Abelhas Indígenas sem Ferrão, fruto de 10 anos de trabalho. “Um dicionário tem de ter de tudo, todos os assuntos. Dá um trabalhão danado, mas é mais completo”, diz.

Professor emérito da USP, Nogueira-Neto fundou o Laboratório das Abelhas na universidade. Mais tarde, ajudou a estruturar o Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências. Para “descansar”, depois do longo dia de trabalho na Secretaria do Meio Ambiente, o ambientalista debruçavase sobre a pesquisa que resultou no livro Comportamento Animal e as Raízes do Comportamento Humano. Sobre as abelhas indígenas prepara o quarto livro, Dicionário das Abelhas Indígenas sem Ferrão, fruto de 10 anos de trabalho. “Um dicionário tem de ter de tudo, todos os assuntos. Dá um trabalhão danado, mas é mais completo”, diz.
Paulo Nogueira-Neto lança livro hoje em Brasília
Um diário que conta toda a trajetória do ambientalista na luta em defesa da biodiversidade
29/03/2011 - 10:41

A publicação, escrita pelo advogado, naturalista e professor universitário Paulo Nogueira-Neto, foca os anos de 1974 a 1986, período em que ele esteve à frente da Secretaria do Meio Ambiente. Em quase 13 anos, passou por três governos distintos: de Ernesto Geisel a José Sarney.
Ele disse em entrevista recente à revistaTerra da Gente: “Os militares não entendiam de meio ambiente e viam minha atuação técnica, estritamente técnica”, lembra, sem ter, portanto, embates com a ditadura do período.
Nascido em São Paulo em 1922, Paulo Nogueira-Neto foi o primeiro ministro do Meio Ambiente do Brasil, além de ser membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e da Academia Paulista de Letras, tendo publicado as diversas obras.
Mas há que se dizer: em sua gestão ambiental foram criadas 26 reservas e estações ecológicas, e 12 áreas de proteção ambiental na Amazônia. Entre outras realizações, também tratou da Lei da Política Nacional de Meio Ambiente, que passou a vigorar em 1981.
Atualmente Paulo Nogueira-Neto é também presidente do Conselho de Orientação do Parque Tizo, localizado na confluência da Rodovia Raposo Tavares com o Rodoanel, em São Paulo.
Olá novamente amigo. Se não bastasse a última postagem sublime que vc nos brindou, agora vc publica essa postagem nos mostrando a saga de um dos baluartes da meliponicultura nacional, que juntamente com outros, tais como o Prof. Kerr, deixaram a sua marca e um legado inigualável. É impossível somente ler e não comentar uma postagem tão sublime. Um abraço. Fco. Mello
ResponderExcluir