Associados e Amigos da AME-RIO
Praticamente todos os meliponicultores, quando fazem as divisões de colônias, retiram alguns discos de cria nascente de uma colônia forte e os colocam em uma caixa nova, envoltos em cera, num simulacro de invólucro, colocam junto uma boa quantidade de abelhas adultas e alguns as vezes oferecem algumas abelhas jovens.
Praticamente todos os meliponicultores, quando fazem as divisões de colônias, retiram alguns discos de cria nascente de uma colônia forte e os colocam em uma caixa nova, envoltos em cera, num simulacro de invólucro, colocam junto uma boa quantidade de abelhas adultas e alguns as vezes oferecem algumas abelhas jovens.
A caixa nova normalmente fica no lugar da caixa que forneceu as campeiras e essa é afastada do local.

O Oderno me passou os detalhes desta modalidade de divisão e alguns procedimentos posteriores. E com a sua autorização eu vou dividir esse processo com vocês.
Para iniciar, vamos falar das caixas que o Oderno usa. A caixa doadora, é de fabricação de um especialista em criação de Guaráipo, o Rodrigo Copat, também da região da Serra Gaúcha. A caixa é constituída de duas alças, cada uma medindo internamente 20 x 20 x 10 centímetros e as paredes tem 5 cm de espessura, a madeira é Pinho (Araucária).
Já a caixa nova, tem as mesmas dimensões, porém a madeira é o Kiri.
Ambas as caixas tem um porão de dois (2) centímetros.
Processo da divisão, by Oderno Theves
- Primeiro é preciso capturar a Rainha. O Oderno afirma que ela, normalmente, está bem à mão, sobre o último disco.
- Depois precisamos retirar o último disco de postura, com as abelhas aderentes. Se esse disco for muito pequeno, é preciso trazer também o penúltimo disco. No caso do Oderno, o ultimo disco estava com aproximadamente 6 a 7 cm de diâmetro, um bom tamanho.
- Os discos são colocados dentro da alça nova, com uma proteção de cerume por baixo, além de pequenas bolinhas de cerume para apoio dos discos.
- O Oderno ainda usa um redutor de espaço, feito com cera laminada de ápis, mais ou menos como aparece nas fotos da caixa nova.
- Ele também aconselha preencher parte do espaço desocupado na alça com potes artificiais de cera, para incentivar a produção de mel.
- É preciso capturar mais umas 20 abelhas novas que vão ser colocadas junto com a rainha. Ele aconselha fazer isso com um sugador.
- Antes de fechar a colméia, deve ser colocada uma película transparente, sobre a alça, para facilitar a observação sem perturbar as abelhas.
- Depois é necessário colocar a nova colméia no lugar da doadora. E afastar um pouco a colméia doadora. O Oderno diz que colocou o enxame doador a um metro do novo enxame, sem maiores problemas.
Um último conselho, procure fazer esta divisão na parte da manhã, num dia em que o enxame estiver bastante ativo, coletando alimento.
O Oderno também nos contou que no dia seguinte, deu uma espiada através de película transparente e se surpreendeu, com a quantidade de abelhas que haviam entrado na nova colméia.
A alimentação fornecida a elas não foi nada além de xarope de açúcar, na proporção de 2 partes de açúcar x 1 de água + uma pitada de sal, adicionando um complexo de vitaminas líquido.
No enxame que ficou órfão, no décimo dia, já havia uma rainha iniciando a postura.
Como o número de campeiras do enxame novo havia diminuído bastante, depois dos 30 dias a posição das caixas foi trocada, oferecendo desta forma um bom reforço ao novo enxame e dali em diante elas vem se virando sozinhas.
Nas fotos internas da caixa nova se vê postura de dois favos de cria,
já no sobreninho, acima da divisória.
A divisão foi feita há três meses e o Oderno acredita que o ninho já tenha de 5 a 6 discos de cria. Ele ainda não separou as alças, para verificar.
Fotos do enxame doador, que por sinal está muito ativo.
Agradeço ao Oderno pelas informações, fornecidas e espero ter passado para vocês todas elas.
Como já foi frisado, este método não tem unanimidade entre os meliponicultores, inclusive alguns meliponicultores, também experientes, tem restrições a ele sob a alegação de que o mesmo pode atrasar o desenvolvimento da colônia nova, mas o Oderno tem demonstrado que para ele e nas suas condições, esse processo funciona.
De minha parte, ainda não tenho dados comparativos suficientes para opinar, mas acho que uma das coisas estimulantes na meliponicultura, é essa existência de mais de um processo de se fazer alguma coisa.
Ainda penso que, se o meliponicultor não atrapalhar demais as abelhas, elas acabam colaborando para qualquer processo ser um sucesso. O que para nós pode ser uma fonte de prazer, para elas é a sua luta diária pela sobrevivência.
Uga
José Halley Winckler
Nota da Redação:
Postagem feita por José Halley Winckler, associado da AME-RIO. Eventuais opiniões aqui registradas são de responsabilidade do autor e podem não refletir a opinião de outros associados out mesmo da direção da AME-RIO.
O método é bastante interessante uma vez que na divisão por discos de cria + campeiras pode haver rejeição frequênte de princesas tornando essa divisão inviável. Já com uma rainha a história é outra, resta saber se isso não iria prejudicar demais a caixa mãe.
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